segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

faça de conta que não é meu


Fico pensando se esperas que eu faça o mesmo que sempre fiz e nesse círculo vicioso continuar sendo não mais do que fui.
Lamento chutares tão longe; quero, do contrário, virar o disco, trocar de roupa, dançar outra dança e,
Dizendo sim ao não, negar coisas óbvias pra ti.
E não me quero triste por, de repente, desistir do que nem tentei,
Não tenho paciência pro inesperado, eu sou mandona, eu sou entrona, meus pés estão sempre na porta.
Minha mão está sempre na maçaneta, pra entrar, pra sair, pra arrombar, pra fugir
E eu quase sempre giro sem medo...
Não há nada que você possa fazer de longe, não há nada de indireto que me sirva.
Não me cabe essa ceninha de sala de espera.
Descruzo as pernas,
Te desejo sorte.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Um, dois e tudo é olho de furacão.
A falta de limites que excita
É a mesma indiferença que aborrece
Mas é noite.
E nada mais é pouco intencional por aqui.
Não se engane:
A noite não quer ser dia, não...
A noite quer os devaneios que o dia não dá;
Possibilidades únicas,
Entrelaços múltiplos,
E vozes que nem reconhecemos mais
Motivadas por diálogos cênicos,
Gozos artísticos
E por mãos carentes de toda carne.

Um, dois e o dia se fez.
E no três, tudo começa outra vez...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

3X4 emoldurada


Pois é, sou alguém que requer
Espaço, tempo, energia.
Palavras, muitas palavras.
Não tenho vocação para estante,
Dê-me uma garagem ao menos...
Seu álbum de fotografia é pouco para mim
E seu coração pequeno também.

sábado, 1 de novembro de 2008

Tento rebuscar o sentimento de outrora
E não consigo,
Não te quero mais.
Imploro por lembranças, me enveneno,
Me machuco experimentalmente
Sem sucesso,
Não te quero mais.
Queria aquele poema magoado
Que ficou inacabado,
Interrompido de chorar
Mas não o encontro,
Não te quero mais.
É assombroso,
É quase dor esse vazio todo;
Por que sumiu? Onde guardei?
Não sei...
Já não te quero mais.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

ABREU, Caio Fernando de.

"E hoje não. Que não me doa hoje o existir dos outros, que não me doa hoje pensar nessa coisa puída de todos os dias, que não me comovam os olhos alheios e a infinita pobreza dos gestos com que cada um tenta salvar o outro deste barco furado. Que eu mergulhe no roxo deste vazio de amor de hoje e sempre e suporte o sol das cinco horas posteriores, e posteriores, e posteriores ainda."

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

PoSoLoGiA

Eu gosto do que PARA MIM, é inevitavelmente gostável
Não gosto porque me gostam,
Não sei montar paisagem,
Criar mundo.
Se páro ou sigo é o que eu posso
E se faço é porque gosto.
Não sou Cazuza:
Não gosto de amor inventado
Nem por carência, nem por distração.
Não gosto de disfarces pra o mundo me olhar
Nem de nada que é pra bonito
Se o que eu tenho é riso ou choro
O que eu te der vai ser puro, sempre.
Não gosto de trabalhar sentimentos,
De ver dor no que era belo,
De ver mágoa no que era amor
Fica sempre o que foi bonito
E o resto eu deixo na janela pro vento levar
Não importa em quantas viagens,
Não importa em quanto tempo.
Eu gosto do que é paixão
Do que é aberto e livre
Não gosto do vacilo,
Vacilo é raciocínio
E no raciocínio não há paixão.
Não gosto de frestas de portas,
De pé por pé...
Eu gosto do que toma conta,
Do que é invasivo, viciante...
Do que é entrega.
Gosto do que me tem não mão
E "migalhas dormidas do teu pão",
Obrigado, NÃO!