sábado, 1 de novembro de 2008

Tento rebuscar o sentimento de outrora
E não consigo,
Não te quero mais.
Imploro por lembranças, me enveneno,
Me machuco experimentalmente
Sem sucesso,
Não te quero mais.
Queria aquele poema magoado
Que ficou inacabado,
Interrompido de chorar
Mas não o encontro,
Não te quero mais.
É assombroso,
É quase dor esse vazio todo;
Por que sumiu? Onde guardei?
Não sei...
Já não te quero mais.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

ABREU, Caio Fernando de.

"E hoje não. Que não me doa hoje o existir dos outros, que não me doa hoje pensar nessa coisa puída de todos os dias, que não me comovam os olhos alheios e a infinita pobreza dos gestos com que cada um tenta salvar o outro deste barco furado. Que eu mergulhe no roxo deste vazio de amor de hoje e sempre e suporte o sol das cinco horas posteriores, e posteriores, e posteriores ainda."

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

PoSoLoGiA

Eu gosto do que PARA MIM, é inevitavelmente gostável
Não gosto porque me gostam,
Não sei montar paisagem,
Criar mundo.
Se páro ou sigo é o que eu posso
E se faço é porque gosto.
Não sou Cazuza:
Não gosto de amor inventado
Nem por carência, nem por distração.
Não gosto de disfarces pra o mundo me olhar
Nem de nada que é pra bonito
Se o que eu tenho é riso ou choro
O que eu te der vai ser puro, sempre.
Não gosto de trabalhar sentimentos,
De ver dor no que era belo,
De ver mágoa no que era amor
Fica sempre o que foi bonito
E o resto eu deixo na janela pro vento levar
Não importa em quantas viagens,
Não importa em quanto tempo.
Eu gosto do que é paixão
Do que é aberto e livre
Não gosto do vacilo,
Vacilo é raciocínio
E no raciocínio não há paixão.
Não gosto de frestas de portas,
De pé por pé...
Eu gosto do que toma conta,
Do que é invasivo, viciante...
Do que é entrega.
Gosto do que me tem não mão
E "migalhas dormidas do teu pão",
Obrigado, NÃO!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

FRACASSO INFALÍVEL


Abra sua porta e entregue primeiro seu corpo ao descaso do mundo, abandone-se.
Meio caminho andado.
Em seguida, atire seus sonhos um a um ao vento e sinta-os sair de suas mãos.
Sinta medo, seus maiores medos. Encha-se deles e deixe-se vencer.
Não lute, afinal, o que é nossa dor para o restante do mundo?
Gritamos em uma sala vazia, onde os gritos ecoam e tornam-se insuportavelmente altos
Apenas para nós.
Resmungue apenas.
Não satisfeito com a dor, ainda precisa que o lembrem como aquele que não soube viver o mundo?
Contente-se, contenha-se.
Pois o que é a vida senão a segurança das coisas efêmeras, construídas, impregnadas à perecível matéria?
Morra, dia após dia. Vivo mesmo.
E renascendo, torne a morrer porque a vida é breve mesmo como essa brisa que seca as roupas no varal.
Compareça ao seu velório, se possível. Apresente-se à amiga Morte e veja-se por entre flores, velando seu corpo.
Mas não chore, não minta...
Não queira mais a si mesmo; jogue-se fora.
Depois, junte-se e dê-se de presente ao seu maior inimigo
Para que ele jamais tenha paz de você.
Entregue-se a um amor fracassado,
Desapareça em meio à sua sombra,
Respire dele o mais fundo que puder;
Iluda-se.
Escreva em linhas tortas e letras feias
A sua história mais vergonhosa,
Engasgue-se com seu veneno
Com o fogo inda não cuspido,
Com o escrárnio inda não dido.
Prostitua teu coração ali na esquina
Dê ou venda-o, já que lhe pertence
E fede e arde das paixões que matas e guardas.

Atire-se do abismo mais alto e deixe seu peito - aberto - ir rasgando-se inteiro.
Caia
E não se levante até o coice derradeiro.

[velharia: eu ainda era menor de idade quando escrevi]

domingo, 14 de setembro de 2008

"Se por acaso eu morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz."

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Caio Fernando de Abreu

"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."