É. Talvez ele ainda quisesse contar com a presença dela. A idéia de tê-la ali era como o segundo lugar no podium de chegada: melhor do que nada.
Talvez ele ainda se perguntasse onde ela enfiou todo aquele amor aflito, briguento e aonde foram passear suas pernas desesperadas. Em que peito repousava sua mão e quantas vezes na semana. Não podia supor.
O certo é que ele tinha alguma gratidão por ela. Ele precisava do drama, dificultava tudo, tropeçava no liso e ela cumpria como ninguém o seu papel naquele misto de novela mexicana e terapia de casal. Ela dançava conforme a música, chorava por encomenda para fazê-lo sentir vivo.
Ele sabe que ela sempre o entendeu, mas ele precisa de sombra e ela o perturba. Ela é uma janela aberta, luz demais.
Ele mandaria colocar nuvens no céu, se preciso fosse, a alegria azul não lhe caía bem, era preciso nublar, mover, chover...
Ele não sabia o que ela esperava, nem sabia porque ela ficava e porque dormia e porque acordava e porque às quatro da manhã ele ainda estava dentro dela, mas tudo bem, ela não o mandava sair, nunca mandaria. Ele tinha um metro e muito de um corpo que gostava ali todo para ele e negar não era o seu forte.
E assim ele exercia aquele papel de romeu de mentira, desgarrado, sem vontade e sem nenhum amor para dar.
Ele não sabia o que havia ali, claro que não. Estava na superfície e nadou de volta para a beira. Da orla, ele a assistia se afogar, se afogar...com um espanto quase infantil.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
sábado, 25 de julho de 2009
Estrada da Santos. Ou não.

"Se você...pretende"
Elis me avisa no ouvido como se fosse hora para isso. É cedo e levo o sono da humanidade toda comigo. A música é do Rei, eu sei. Mas as coisas são o que estão e se fosse para colocar todos os pingos nos is, não me sentiria na estrada de santos aqui.
"Você -vai - me - conhecer"
Ela me convida assim, em tom de ameaça. Viajo junto.
A necesidade do estrelato que todos nós temos. De sermos enigma, mistério. De tornarmos complexo esse universo simples que nos cerca. Simples como cheiro de pão.
A necesidade do estrelato que todos nós temos. De sermos enigma, mistério. De tornarmos complexo esse universo simples que nos cerca. Simples como cheiro de pão.
É como oferecer salva-vidas ao visitante, quando o estamos convidando apenas para o raso do oceano, de nados curtos, curtas braçadas.
"Só a velocidade anda juuuuunto a mim"
Que horas são agora? Há pouco acordei, num salto. Meu rosto fantasmagórico, convidando a todos para um novo sono, o sono dos viajantes.
A fome de volta de guerra, a sede de outros carnavais, mas uma vaidade teimosa me sustenta.
O dia nasceu. Tenho o dia em meus braços, é o filho que embalo. E cá estou: de volta ao mundo. Passageira. E "o tempo é cada veeeez menor."
"Maaaas se acaso numa curva..."
Curvas, curvas, curvas...quase não há. Vejo a sinuosidade mais fictícia que real. Me seguro e é o mesmo susto de acordar. Acordo de novo. Agora, para o difíil do trajeto.
"Corrijo num segundo, não posso pa-rar"
Um instante de loucura e mostro o que sou de fato. Me viro do avesso, é uma confissão.
A lucidez me atrapalha, é um excesso de clareza nos olhos. A cabeça dói, mas a coerência vai bem, obrigada.
A quem possa importar, a confusão inda vai longe. E na economia de explicações, lambo meus beiços, satisfeita.
A quem possa importar, a confusão inda vai longe. E na economia de explicações, lambo meus beiços, satisfeita.
"E vi pelo es-pe-lho, na distância se perdeeeeeeer"
Passado. Fantasmas. Bem ou mal resolvidos. As existências incômodas, são ecos na multidão.
Passado: faço-me rir com o canto da boca e me digo de novo a palavra PASSADO.
Conto nos dedos o que for possível, crio referências, comparo momentos, relembro histórias. A meu gosto.
O passado está no todo, comigo.
"Aaaaaas curvas se acabam e na Estrada de Santos eu não vou mais passaaaar"
Dependendo do meu passo, claro.
O presente me vem como alimento. Mastigo cada pedaço devagar. Tento não engolir.
O presente é um embrulho com laço de fita. Vou abrindo aos poucos, para meu deleite e surpresa.
Mas será mesmo que "as curvas se acabam"? Será, hein...?
Será mesmo que eu "não vou mais passar"???
sábado, 7 de março de 2009
das coisas que me são caras...
"Tens de ter certeza se que o meu amor por ti é coisa profunda, grande, definitiva, acima de brigas, de caprichos, de idades, de literatura"
Guimarães Rosa
para ti, poeta. porque imenso é o nosso amor, amigo.
o nosso amigo-amor para toda a vida.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
quer queira, quer não.
Guarde-me em seu envelope mais antigo e feche-me em sua gaveta de lembranças
Não tem problema:
Eu me basto e - não negando a água que sou - eu verto.
E vazo por entre as tuas mais respeitosas lembranças,
Invadindo os lugares que sempre foram meus,
Não preciso das chaves.
Guarde-me dentro de um livro nunca lido, um livro de visitas
Não ligo.
Eu danço com as palavras e me materializo nelas.
Liberto a nós todas.
Agradeça meu afeto,
Mas não há de que.
Ele é meu, é de aluguel
É inquilino em teu corpo.
Eu me pertenço e é comigo que convivo
E me são indigestas as minhas palavras,
Precisam sair, não entrar...
Mas não há de ser nada.
Me esqueça, tão logo possível
Para que eu tenha o prazer de reaparecer
Quer você queira, quer não.
Não tem problema:
Eu me basto e - não negando a água que sou - eu verto.
E vazo por entre as tuas mais respeitosas lembranças,
Invadindo os lugares que sempre foram meus,
Não preciso das chaves.
Guarde-me dentro de um livro nunca lido, um livro de visitas
Não ligo.
Eu danço com as palavras e me materializo nelas.
Liberto a nós todas.
Agradeça meu afeto,
Mas não há de que.
Ele é meu, é de aluguel
É inquilino em teu corpo.
Eu me pertenço e é comigo que convivo
E me são indigestas as minhas palavras,
Precisam sair, não entrar...
Mas não há de ser nada.
Me esqueça, tão logo possível
Para que eu tenha o prazer de reaparecer
Quer você queira, quer não.
sábado, 31 de janeiro de 2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
eu quero é um par de asas...
não me canse a beleza com as concretudes que a vida te revelou.
se eu as quisesse, já as teria dado asilo.
guarda-as para ti e delas faça bom uso.
o que não vejo é porque não quero e talvez nisso habite minha única esperança
de ser menos pedra,
menos regra,
menos cega.
se eu as quisesse, já as teria dado asilo.
guarda-as para ti e delas faça bom uso.
o que não vejo é porque não quero e talvez nisso habite minha única esperança
de ser menos pedra,
menos regra,
menos cega.
domingo, 28 de dezembro de 2008
e o coração na mão?
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