sábado, 24 de maio de 2008

"Mentira também é uma verdade, só que sonsa e meio nervosa. Minta quem puder, e com paz de espírito. Porque a verdade exige longa escadaria a subir como se eu fosse uma condenada a nunca parar. Estou cansada e é por isso também que falo baixo - é para não me ofender."

(LISPECTOR, Clarice)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

deselegante à beça

nada legal ser uma pessoa-vidro,
porque além de quebrar, posso ferir gravemente.

mas antes matéria do que forma,
prefiro o necessário ao belo de ser dito
e, na ponta dos pés, atravesso essa linha
que divide a verdade
da minha total falta de delicadeza.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Deselegante

Não desvia teus olhos dos meus,
Tonteio.
Não desencaixa teu corpo do meu,
Destoa.
Do ambiente todo, dos ares pálidos.

Não me desencante no silêncio,
Que já me finca tua pura liberdade.
Não me cala o coração,
Que eu desafino.
Tino já não tenho
E a tua lucidez me afronta,
Me despe.

Não te rias das palavras
Que te dou.
Nem das vitrais emoções d0 clarão
Que trago no rosto.

Escondo num sorriso inseguro
Que meu calcanhar de aquiles é teu gosto.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

No caminho para o quarto

Calei-te a boca mentirosa
Com um beijo de verdades;
Mandaste que eu escrevesse
Sobre aquilo em que não creio
E me pergunto:
Por que tiraria minhas honrarias
De franqueza
Escrevendo sobre tuas mentirosas frases?

Seria eu mais uma "poeta-fingidor"
Ou será verdade o que tua boca me segreda?

segunda-feira, 24 de março de 2008

Português IV

Deixa a vida ser assim descompassada
Não me canse os tímpanos nem as artérias
Deixa-me cá com meus movimentos marcias
E pensamentos marcianos
Sobre a morte do que não tenho.
Deixa o mundo e o Sol lá fora
Ser um problema de outro Deus
Ao qual eu eventualmente também possa pertencer
Por segurança
Deixa eu ligar o mute pras vozes internas
Para os cansaços alheios
E para os problemas de marca maior
Por hora
Que em troca, deixo meu coração aberto feito alvo
E pronto [de novo] para ser Senhor absoluto de tudo
Com um Grand Finalle, de Abre-Alas
Olha: faço algum sentido de trás pra diante!

Brigas já não me importam
O tempo já não me basta
E esse retro-projetor aí na frente me dá um sono...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Tu não decifras sequer meus segredos mais clichês, desses já contados em alguma canção de amor. Enquanto alimentas teu medo, eu tenho é essa pressa sofrida de viver e vou vivendo assim, toda errada, barulhenta. Diz-me pra não gritar, pra não te ofender e nem sei mesmo por que insisto nessa briga inútil; é como se eu quisesse que as paredes se partissem e que o Sol, enfim, te despertasse para o óbvio!
Ergues-me os olhos em fúria, me calo pensando ter sido ouvida, ter causado efeito, que nada: continuas surdo e impaciente demais pra pensar. Nada acontece. Quase fico rouca, quase caio e sigo redundante, falando um grego que nem grego entende.
Então, sem psicologia nenhuma, sem podas, me despeço com saudações de capitão, te velo rindo de canto, rindo de mim...
Pra que ficar sorrindo à toa
Se a tristeza é o bonito da pessoa?
É sinal, bom sinal
De que ela vive e vê
Que o mundo arde em chamas
Enquanto ela sorri
Para as visitas,
Para os clientes,
Para os inimigos.

Ora, respeite a minha carranca!