quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

E tem! 30 de janeiro, ontem, agora pouco...

"Saudade: substantivo feminino - Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia. Saudade na solidão, na penumbra do amanhecer.Via você na noite, nas estrelas, nos planetas, nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.Via você no ontem , no hoje, no amanhã...Mas não via você no momento.Que saudade..."
(Quintana - grande Quintana!)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Ai, por gentileza, toca aquela música....aquela música, bem sabes....
Que me esfaqueia a alma, que me traduz o vazio...
A música aquela que me faz chorar.

Toca aquela que me atira na cama e me faz chorar feito criança perdida dos pais
Feito choro de enterro
Feito quem não tem saída...
Que nesses tempos de mulher, me falta a humildade de ser fraca e chorar
Me falta a infantilidade do desespero...

Não me alegre, não quero disfarces...
Não intua meus motivos, não perturbe minha tristeza
Não me distraia da minha vontade de chorar
Que até para isso há de se ter concentração nessa vida...

Daqui a pouco vem...deixa-me quieta, que daqui a pouco vem...

domingo, 16 de dezembro de 2007

narrativa

eu me contento com a procura, podendo já ter dito sim
talvez eu não seja nem tão honesta, nem tão modesta, nem tão espontânea quanto penso (pensam...)
pudores me mantêm anestesiada do que que me aflige
o despertar me dói na cabeça, me causa a ânsia infantil dos dezesseis (quando eu tinha a dos doze)
me sou estranha, quis sair porta afora, quis jogar, mas fiquei
contar a história do que teria sido não serve nem pra mim nem pra ninguém
a insistência me irrita como alguém falando enquanto eu quero ler
mas mentira tem perna curta, alguém entendeu
sendo mulher, não me perguntei como ela sabia
eu sei muito bem como as mulheres conseguem saber de tudo...
e quem é que sabe como é? me deixa ficar sentada aqui
apertando a tecla next, pausando o momento...retardando os efeitos

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Eu corei pra vida como se tivesse, de repente,
Uma vergonha do que ela pensa de mim.
Eu sei, a vida não pensa, a vida é.
Boba sou eu que não sei que quem pensa sou eu.
Do meu rosto rosado, escapuliu um sorriso estranho, fadigado.
A vida não me entende, pensei. Não me quer...
[a vida ou eu???]
Ô dó! Que pecado esconder o sorriso!
Não devo, não temo. Me repito, me desminto.
De repente, as coisas são assim, preto no branco, fáceis...
De repente, a cruz ficou leve, ou a via crucis terminou e não notei.
Ouquêi.
Ergui os olhos do chão, parei de fingir que não era comigo
E brindei em copo plástico as paixões de vidro,
Que me alimentam,
Me fermentam a vida.
Olhei para frente e vi o túnel.
[a luz virá depois, calmaí...]
Decidi continuar sendo louca
Exagerada, assustadora, apaixonada...
E sem modos. Completamente sem modos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Coisa pouca...tstststs

Não gosto de pouco
Ando sem tempo pro pouco
Odeio o pouco
Gosto é do muito
Do muito que me toma o pouco
O pouco tempo
A pouca sorte
O pouco espaço
Do muito que me enreda as pernas
Que me prende asganha
Que me fala alto, não cochicha
Serenata
Mesa farta
Cantar bêbada
Rir deitada
Eu gosto é de muito
Muito para o qual a cama, a casa, o mundo
Sejam - estes sim - pouco. Muito pouco.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A [DES]ORDEM DAS COISAS

[A gente faz. Depois pensa. Depois faz de novo. E o que há de errado com o (suposto) erro? O erro, de quando em vez, quer acertar, quer ser direitinho, ora. É um passo certo que, se perde o tempo, dança no eco, atônito. É muito mais simples do que eu pinto. Tá tudo bem, me disseram.]

E acaso a culpa foi minha? Me apertaste num abraço que deixou marcas. Não é que eu não tivesse erguido a cara inteira pro teu beijo; não tivesse induzido, nem reagido. Nadei a favor e tu me dizendo pra esquecer do mundo...(como se eu ainda lembrasse do mundo naquela hora).
Tu me pegas pra ti como se tivéssemos nascido ontem, assim inocentes, inéditos. Eu me assombro com o muito que sei, num mundo em que as pessoas querem mais é saber, vasculhar o passado, limitar os olhares, ler as linhas da mão. Eu queria mesmo era um tu novinho, da prateleira. E ao mesmo tempo não.
Um tu diferente e ao mesmo tempo assim, desse seu jeito absurdo. E daquele outro jeito que já vi. Em tanto tempo, fui montando um mapa que não sei aonde leva. Não queria mapa, porra! Queria o tato.
Não me envolvas em teus enredos, não faz de conta que não sabe porque não posso ficar. O dia amanhece e tudo não te parece diferente (NÃO! te ouço responder daqui). Mas tu me vence e não no cansaço, mas no olhar raso de quem mente dizendo a verdade. De quem é porta-estandarte de sensações ruidosas, palpáveis, numerosas que sequer sabe levar adiante. Por que mentes? Por que tentas me provar o que não podes?
A gente que queria tanto o novo, o instante, o cheiro do presente, avessamente desencavamos uma história quase fábula de longe, muito longe. Dum tempo que era outro. E foi exatamente igual, tenho que rir. Deixa-me rir.
Te deixei me encantar com teus lençóis de verdades bem claras, bem vivas. O Sol não bateu, porque era chuva o que era pra ser naquele dia. Um dia sem fim.
Cabeça erguida, passo firme, te convenço do que me era muito claro. Questão resolvida, pedra no assunto, eu te disse. Morreu. Ai, digníssima eu. A sensatez é uma armadilha cruel.
Mas juro que achei que o assunto estava de fato resolvido. Que nada! Eu lá sou mulher de esconder sujeira pra baixo do tapete? Não mesmo.
E já que o assunto não tá resolvido, me passa os temperos e vem cá que vou te comer a generosas garfadas. Tenho fome. Que faço eu com esse mapa na mão, ora???

sábado, 29 de setembro de 2007