
"Se você...pretende"
Elis me avisa no ouvido como se fosse hora para isso. É cedo e levo o sono da humanidade toda comigo. A música é do Rei, eu sei. Mas as coisas são o que estão e se fosse para colocar todos os pingos nos is, não me sentiria na estrada de santos aqui.
"Você -vai - me - conhecer"
Ela me convida assim, em tom de ameaça. Viajo junto.
A necesidade do estrelato que todos nós temos. De sermos enigma, mistério. De tornarmos complexo esse universo simples que nos cerca. Simples como cheiro de pão.
A necesidade do estrelato que todos nós temos. De sermos enigma, mistério. De tornarmos complexo esse universo simples que nos cerca. Simples como cheiro de pão.
É como oferecer salva-vidas ao visitante, quando o estamos convidando apenas para o raso do oceano, de nados curtos, curtas braçadas.
"Só a velocidade anda juuuuunto a mim"
Que horas são agora? Há pouco acordei, num salto. Meu rosto fantasmagórico, convidando a todos para um novo sono, o sono dos viajantes.
A fome de volta de guerra, a sede de outros carnavais, mas uma vaidade teimosa me sustenta.
O dia nasceu. Tenho o dia em meus braços, é o filho que embalo. E cá estou: de volta ao mundo. Passageira. E "o tempo é cada veeeez menor."
"Maaaas se acaso numa curva..."
Curvas, curvas, curvas...quase não há. Vejo a sinuosidade mais fictícia que real. Me seguro e é o mesmo susto de acordar. Acordo de novo. Agora, para o difíil do trajeto.
"Corrijo num segundo, não posso pa-rar"
Um instante de loucura e mostro o que sou de fato. Me viro do avesso, é uma confissão.
A lucidez me atrapalha, é um excesso de clareza nos olhos. A cabeça dói, mas a coerência vai bem, obrigada.
A quem possa importar, a confusão inda vai longe. E na economia de explicações, lambo meus beiços, satisfeita.
A quem possa importar, a confusão inda vai longe. E na economia de explicações, lambo meus beiços, satisfeita.
"E vi pelo es-pe-lho, na distância se perdeeeeeeer"
Passado. Fantasmas. Bem ou mal resolvidos. As existências incômodas, são ecos na multidão.
Passado: faço-me rir com o canto da boca e me digo de novo a palavra PASSADO.
Conto nos dedos o que for possível, crio referências, comparo momentos, relembro histórias. A meu gosto.
O passado está no todo, comigo.
"Aaaaaas curvas se acabam e na Estrada de Santos eu não vou mais passaaaar"
Dependendo do meu passo, claro.
O presente me vem como alimento. Mastigo cada pedaço devagar. Tento não engolir.
O presente é um embrulho com laço de fita. Vou abrindo aos poucos, para meu deleite e surpresa.
Mas será mesmo que "as curvas se acabam"? Será, hein...?
Será mesmo que eu "não vou mais passar"???
5 comentários:
putz, porque sempre esqueço que tu escreve!!
e escreve bem pra caramba!!
curti a estrada de santos, de preferencia cantada bem lentinha, dando a impresão que a estarda não vai acabar, que o liugar não vai chegar, ou que vai demorar!!
Parabéns!! e...votei, era só apertar o botão do ladinho ne?? bjos
Vai passar sim! Tua até já passou e não se deu conta...adorei!
"Necessidade de tornarmos complexo esse universo simples que nos cerca. Simples como cheiro de pão."
Legal o texto e essa parte em especial.
amo essa letra, lindo lindo lindo!!!
bjoo
oieee primocaaaa
te add no negocin do blog heheh xD
criei um blog tb, jah deve ter visto kkkkkkk
bjusssss
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